O que é o laudêmio? Precisa mesmo pagar? Entenda tudo!
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Jornalista especializado na cobertura de temas de finanças pessoais, educação financeira e serviços financeiros. Sua atuação editorial é voltada para tornar assuntos complexos — como cálculo de sal...
Perfil completo25/09/2025
6 min de leitura
O laudêmio é uma taxa que desperta muitas dúvidas entre proprietários e compradores de imóveis no Brasil. Apesar de sua presença constante em algumas transações imobiliárias, poucos compreendem realmente sua origem, sua aplicação e quem é responsável por seu pagamento. Essa falta de entendimento pode levar a surpresas desagradáveis e até a complicações legais.
Neste artigo, vamos esclarecer os principais pontos sobre o laudêmio, abordando desde sua definição e base legal até as situações em que é aplicado e como é calculado. Também discutiremos quem deve pagá-lo, os procedimentos para efetuar o pagamento e as consequências do não pagamento. Confira!
Veja nesse texto:
O que é o laudêmio?
O laudêmio é uma taxa cobrada nas transações imobiliárias de terrenos de marinha ou terrenos foreiros, que são propriedades concedidas a particulares pela União ou por entes privados. Essa taxa é devida sempre que há transferência de propriedade ou direitos sobre esses terrenos.
Por exemplo, se você comprar uma casa construída em um terreno de marinha, além do valor da casa, terá que pagar uma porcentagem sobre o valor do terreno como laudêmio. Essa prática tem origem no período colonial, quando a Coroa Portuguesa concedia terras a particulares, mas exigia uma compensação financeira em caso de transferência.
O laudêmio é regulamentado? É legal?
Sim, o laudêmio é regulamentado e legal. No Brasil, essa taxa está prevista no Decreto-Lei nº 9.760/1946 e no Decreto-Lei nº 2.398/1987, que dispõem sobre os bens imóveis da União, incluindo os terrenos de marinha e seus acrescidos. Essas leis estabelecem as condições para a cobrança do laudêmio, garantindo sua legalidade e a responsabilidade do pagamento nas transações imobiliárias envolvendo esses tipos de terrenos.
Quando o laudêmio é cobrado?
O laudêmio é cobrado sempre que há transferência de propriedade ou de direitos sobre terrenos de marinha ou terrenos foreiros. As situações mais comuns incluem a venda de imóveis construídos nesses terrenos. Porém, existem outras circunstâncias em que a taxa também é devida. Aqui estão as principais situações em que o laudêmio pode ser cobrado:
- Venda de imóvel: Transferência de propriedade em terrenos de marinha ou foreiros.
- Doação: Transferência do imóvel a terceiros como doação.
- Herança: Transferência do imóvel por herança.
- Permuta: Troca de imóveis onde um deles está em terreno sujeito ao laudêmio.
- Cessão de direitos: Transferência de direitos de uso e exploração do terreno.
Quem deve pagar essa taxa?
A responsabilidade pelo pagamento do laudêmio geralmente recai sobre o comprador do imóvel, embora em algumas transações as partes possam negociar quem arcará com o custo. Em casos de venda de imóveis construídos em terrenos de marinha ou foreiros, é comum que o comprador pague a taxa.
Já em situações como doação, herança ou cessão de direitos, a responsabilidade pode variar, mas geralmente é o novo titular do direito que deve pagar.
As diferenças na responsabilidade de pagamento também podem depender do tipo de propriedade. Para terrenos de marinha, que pertencem à União, o pagamento é obrigatório para qualquer transferência de titularidade. Já para terrenos foreiros, onde a propriedade original pode ser de uma entidade privada, as regras podem variar conforme o contrato de aforamento, mas a prática comum é que o novo titular do direito assuma o pagamento do laudêmio.
Como e onde pagar o laudêmio?
O pagamento do laudêmio deve ser feito à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) ou ao ente privado que detém o domínio direto do terreno, dependendo do tipo de propriedade. O procedimento começa com a solicitação de uma guia de recolhimento, que pode ser obtida diretamente na SPU, através de seu site, ou no órgão responsável pelo terreno foreiro.
Uma vez obtida a guia, o pagamento pode ser realizado em bancos credenciados ou via internet banking. É importante guardar o comprovante de pagamento, pois ele será necessário para a finalização da transferência de propriedade no cartório. Além disso, é recomendado verificar com antecedência os prazos e as exigências específicas da instituição responsável para evitar atrasos ou problemas no processo de transferência.
Como a taxa é calculada?
Ela é calculada como uma porcentagem sobre o valor do terreno ou da transação. Geralmente, essa porcentagem é de 5%. Para calcular, basta multiplicar o valor do terreno ou do imóvel pela alíquota de 5%. Por exemplo, se o terreno vale R$ 200.000, o laudêmio será R$ 10.000 (200.000 x 0,05). É importante verificar com a instituição responsável, pois os valores podem variar conforme regulamentações específicas.
Quando o laudêmio NÃO é cobrado?
O laudêmio não é cobrado em algumas situações específicas que envolvem isenções e exceções previstas na legislação. As principais são:
- Imóveis da União: Transferências de imóveis que pertencem diretamente à União.
- Reintegração de posse: Quando a posse do imóvel retorna ao proprietário original por decisão judicial.
- Desapropriação: Quando o imóvel é desapropriado pelo poder público para fins de utilidade pública ou interesse social.
- Transferências entre herdeiros: Em alguns casos, transferências de direitos entre herdeiros podem ser isentas, dependendo das circunstâncias e regulamentações específicas.
- Terrenos foreiros com cláusula de isenção: Alguns contratos de aforamento podem incluir cláusulas específicas que isentam o pagamento do laudêmio.
E se eu não pagar o laudêmio? Quais as consequências?
O não pagamento do laudêmio pode acarretar em diversas consequências legais e financeiras. Primeiramente, a falta de quitação dessa taxa pode impedir a regularização da transferência de propriedade no cartório, dificultando ou até mesmo inviabilizando a conclusão do negócio imobiliário.
Além disso, há o risco de incidência de multas e juros sobre o valor devido, aumentando significativamente o montante a ser pago. Em casos mais graves, a não quitação do laudêmio pode resultar em processos judiciais e até mesmo na perda do direito de posse sobre o imóvel, dependendo da gravidade da situação e das medidas adotadas pelas autoridades competentes.
Compreender a importância do laudêmio e suas obrigações legais é crucial para evitar complicações e garantir a regularidade das transações imobiliárias. Portanto, é fundamental estar bem informado e seguir corretamente os procedimentos estabelecidos pela legislação vigente.
Sobre o autor
Ygor Castro
Jornalista especializado na cobertura de temas de finanças pessoais, educação financeira e serviços financeiros. Sua atuação editorial é voltada para tornar assuntos complexos — como cálculo de salário líquido, regras de proporcionalidade aplicadas ao orçamento e planejamento de datas úteis — compreensíveis para leitores de todos os perfis, sem abrir mão da precisão e da responsabilidade informativa. Com uma abordagem orientada ao leitor, produz conteúdos que auxiliam na tomada de decisões cotidianas relacionadas ao dinheiro, ao planejamento pessoal e ao entendimento de produtos e serviços financeiros disponíveis no mercado brasileiro. Seu trabalho é pautado por rigor apuratório, linguagem acessível e compromisso com a qualidade editorial, respeitando as diretrizes de conteúdo YMYL (Your Money or Your Life). Acredita que a educação financeira é um direito de todos e que informação bem contextualizada é o primeiro passo para decisões mais conscientes. Por isso, cada artigo é elaborado com cuidado, baseado em fontes confiáveis e com o objetivo de empoderar o leitor, sem promessas de resultados, sem linguagem apelativa e com total transparência editorial.
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